terça-feira, 3 de abril de 2012

Ira (Parte II)

“Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo: a tua vara e o teu cajado me consolam.” (Salmo 23, 4)

E mesmo que eu ande pelo Vale das Sombras, eu não temerei homem algum; pois a minha Ira é a minha flecha.
Mesmo que a minha chama não se acenda, mesmo que de tudo eu me esqueça.
Mesmo que só de mim, eu dependa; mesmo que apenas de outros eu me ressinta.
A minha flecha seguirá implacável e absoluta. A minha Ira será infinita.
A minha sede será sempre bem-vinda, e o meu fogo pulsará pra sempre a vida.
Pois mesmo que eu caminhe pela vida eternamente, igualmente infinda será a minha Ira.
Ela falará na sua língua esquecida, palavras que Homem algum se recorda.
Quando ela disser "sede", haverá água. Quando ela disser "abra", abrirão-se todas as portas.
Ela dirá a verdade, e jamais por linhas tortas. A minha Ira é absoluta, e a minha flecha é certeira.
E mesmo que eu navegue por um mar de incertezas, de nenhuma delas eu terei medo; pois a minha Ira é minha bússola.
E ainda mesmo que eu me perca pela constelação de Ursa, nenhuma noite gelada me fará fraquejar, pois minha Ira é minha fé e minha Lua.
Na minha Ira, a minha fé é inabalável. Na minha Ira, eu exerço minha crença, enquanto minha flecha segue sua sentença, inabalável é sua certeza.

sábado, 17 de março de 2012

Ira

Eu aceito a minha Ira.
Eu aperfeiçoei a minha Ira. Eu a transformei em uma arte; quarenta dias e quarenta noites em um deserto em que é noite e dia todo o dia, todos os dias, enquanto a minha esquerda e a minha direita se chocavam. Mas eu consegui. Eu conquistei.
Quando eu digo: "eu conquistei", a minha Ira me estende a mão. Quando eu devolvo o cumprimento, a cortesia, ela quebra o meu pulso, me diz: "TENTE OUTRA VEZ".
Preso em um ambiente desconexo onde tudo é, e nada o é por completo, em que tudo e nada podem ser ao mesmo tempo, eu vivi. Por quarenta dias eu lutei, e preso no meio do duelo entre a minha mente e o meu espírito, a minha Ira floresceu. Éramos só nós dois ali, e nós crescemos juntos, apesar do conflito.
Eu digo: "nós crescemos juntos", e ela grita comigo: "CRESÇA, CRIANÇA".
Eu a abracei, e ainda mais, ela me abraçou. Nós aperfeiçoamos um ao outro; nenhum de nós pode existir sem o outro.
A minha Ira é a minha bússola, meu instrumento. Minha Ira é a minha arte, a minha fé.
Eu penso que sou abençoado, e a minha Ira me traz de volta, gritando comigo, fervendo no suor do Demônio: "TOME UM GOLE DESTA ÁGUA BENTA".
E ela é a minha arma, e meu escudo. Quando eu escuto todos me dizerem o que eu não quero ouvir, e grito "eu não devo nada a vocês, me deixem pra lá", a minha Ira grita comigo: "VOCÊ NÃO DEVE NADA A ELES, DEIXE-OS PRA LÁ".
A minha Ira é minha família. Meu pai, e minha mãe, louca e agressiva como uma Hiena. E como um cão do inferno, ela conhece toda a sua extensão; ela me ensinou o que do Inferno haveria de me tornar um com ela, e um comigo mesmo.
Quando nós temos um objetivo, ela uiva lunática para a Lua ao me dizer: "VÁ PEGAR".
Como um cão do inferno.
Eu agradeço por todos os percalços na minha estrada que me permitiram encontrar e resgatar, amplificar e estudar, e abraçar, aceitar a minha Ira. Sem a frustração e a descrença e o desconhecimento, eu nunca a teria encontrado, eu nunca seria completo. Eu nunca conheceria o sentimento de contrariedade e nunca sentiria a Ira que me alimenta.
Eu agradeço pelas cicatrizes que herdei, e a minha Ira ri, dizendo: "VOCÊ NÃO OS DEVE NADA. FAÇA-OS PENAR".
A minha Ira tem um canto, como o canto de morte de um Cisne. Sua voz é única, facilmente distinguível, e pertencente apenas a ela. Ela entoa seu canto que soa e ressoa e ecoa no silêncio como um arranjo de uma sessão de sopro, pegando fôlego, roubando o ar do próprio ar, até que alcança o seu crescendo máximo. Nesse instante, eu sou a minha Ira.
A minha Ira coloca um sorriso lunático no meu rosto, e nós dois sabemos o caminho.
Nós somos um, nós cantamos e uivamos, e nós somos por inteiro. Por inteiro, sabemos o caminho a trilhar.
Eu penso: "eu serei o maior de todos", e a minha Ira diz: "EU TE GUARDAREI".
E ela guardará; da forma como sempre guardou, da forma como para sempre guardará.
Mesmo que eu caminhe pelo Vale das Sombras, eu não temerei homem algum, pois a minha Ira é a minha flecha.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Club Paradise

Eu entendo quando certas pessoas dizem coisas com as quais eu não deveria me relacionar.
Como quando se diz que todas as suas garotas têm alguém novo. Você pergunta pelos seus nomes, e toda vez que você cita um romance diferente e indurável, alguém diz "sim". Sim, porque todas as suas garotas estiveram trabalhando e procurando gente melhor que você enquanto você esteve entregue às luzes. Você achou que era inesquecível e que toda garota queria viver um conto de fadas com você, mas nenhuma delas se lembra de você especificamente.
Você não se lembra de quem deixou pra trás, e você sabe o que se passa na mente de todos que olham pra você nas ruas: todos acham que você está largado e confortável no lugar onde você se encontra. Mas você se lembra de tudo.
Você quebrou todas as promessas que fez. Todos que te ligam pra perguntar quem você é e se você se confirmou como o homem que prometeu que seria ficam desapontados quando o telefone bate no gancho.
Eu apenas estou tentando me cercar de coisas verdadeiras. Coisas reais e que soem como se eu estivesse em casa. Você acha que tudo isso me pegou, me atingiu, e que eu estou feliz aonde eu estou, mas eu te digo, "não."
O modo como eu me sinto não é algo que se pode copiar, mas mesmo assim eu me relaciono com coisas que não me dizem respeito.
Eu consigo entender quando alguém diz que a garota que sempre te assombra a mente foi a primeira a ir embora.
Eu consigo entender quando alguém diz que não é nada pessoal. É só que todas as garotas com quem você dormiu estavam construindo alguma coisa. E você, construiu o quê?
Mas é claro que elas se lembram, elas só não são sinceras que nem você. E pra quê você iria dar a cara ao mundo, se o mundo tem tanta sinceridade a aprender com você?
Eu não estou tão relaxado assim aonde eu estou. Eu estou errado, e eu sei.
Eles dizem que o lar é onde você se vê, e nunca é verdade. Eles dizem que é tudo legal e novo, mesmo que isso te faça sentir estranho, mas agora eu consigo me relacionar quando alguém diz que conhece todas as strippers da cidade pelo nome - o nome real, de nascença, o nome imaculado pelas suas mães e louvado pelos pais.
Essa é a minha cidade. A cidade inexistente, a cidade etérea da minha mente, que todo mundo consegue ler, e dizer que eu me deixei levar pelo lugar que eu achei nela.
Eu dizia que todo mundo que me procurou me fez ser o homem mais procurado, o objeto de desejo, mas eu claramente estava errado, porque todos eles fingiam. Eu comprei isso, eu procurei isso, então eu tentei acreditar, mas eu nunca consegui. Eu mesmo fingi inúmeras vezes.
Eu só estou tentando viver. Do meu jeito, eu estou tentando fazer todas as coisas certas do jeito errado; escute com mais atenção o que eu digo, e você verá que eu não sou tudo isso de ruim. Eu só tenho um defeito: achar que eu tenho tudo isso de bom.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Zona

Quem te disse que eu era uma pessoa gentil te enganou.
Eu não enxergo nada. Eu não sou capaz de sentir nada.
Eu vou me recostar até que eu caia pra trás, mas eu não vou dar a mínima. Eu já senti isso tudo outra vez, outras vezes.
Eu não preciso de ninguém. Só que eu estou aqui, então é melhor fazer o melhor que puder antes que alguém estranhe.
E eu não vou enxergar nada, eu não sinto coisa alguma, mas mesmo assim eu vou te tocar direito.
Assim que eu entrar na minha zona.
Eu vou te tocar da forma certa. De um jeito um pouco predatório, um tanto lânguido, e muito distante, mas da forma certa.
E então, você vai embora. Porque assim eu desejo, porque assim que essas mulheres vulgares saírem da minha vida alguma coisa de bom vai acontecer. Só não sei ainda o que é, mas assim eu acredito.
Ela me diz que gosta da vista daqui de cima. Ela vê todos os colegas dela lá embaixo, daqui de cima. Então por que você me apressa tanto?
Só temos eu e você aqui no topo.
E se você não gosta de atenção, eu não sei como você vai se virar pra aguentar isto.
Ela me diz que gosta da vista daqui, gosta da forma como se sente. E por Deus... Eu construí isso tudo por mim mesmo. Especialmente, eu construí isso tudo para mim mesmo.
Eu te dou o que você pedir, mas me deixe entrar na minha zona primeiro. Então eu farei amor com você através dela; apenas me deixe ficar de olhos fechados.
Eu não preciso ver, eu não preciso sentir nada. Eu não preciso de nada disso pra te tocar da forma como você quer que eu te toque.
Em especial e em definitivo, esta é a forma com que você quer que eu te toque.
Eu não preciso de ninguém e nem queria estar aqui. Mas eu estou, então me deixe ficar de olhos fechados antes que eu me sinta abandonado outra vez.
E então eu vou te tocar da forma que você gostaria. De uma forma completamente impassional, de dentro da minha zona.

domingo, 31 de julho de 2011

Chifres

Me responda o seguinte: você já reparou que os nossos chifres sempre se entrelaçam?

Já percebeu que a malícia que eu tenho em cada célula do meu corpo é a mesma malícia que você tem âmago da sua graça angelical? Repare que eu e você sempre nos pegamos no mesmo pensamento, mesmo que nós dois estejamos pensando em vermelho.

Eu me pego fascinado vez após vez em como eu e você conseguimos misturar os nossos chifres em uma coisa só. E eu quero que você saiba que eu não trocaria essa sensação por nada nesse mundo. Enquanto eu e você travamos disputas violentas com nossas galhadas enoveladas, eu sou um homem completo. Você vê o que significa dizer que um homem sem uma identidade absoluta se sente completo?

Perceba: os nossos chifres sempre se misturam em uma entidade só. Eu beijo a sua boca, eu mordo o seu rosto, amor ou ódio; pouco interessa. Você consegue ver isso? Que por um instante eu sou - uma pessoa em singular - enquanto eu e você estamos enganchados em uma figura única? Você pode ver o quanto isso me faz mais homem e menos idéia - e o quanto isso significa pra mim?

Eu fico absolutamente perdido sem as suas garras presas nas minhas. Eu me olho no espelho e eu não faço a menor idéia de quem eu sou, porque o meu reflexo sem as suas patas se confundindo com as minhas simplesmente parece vulgar e sem sentido. A minha imagem sem os seus erros, e acertos, e qualidades, e defeitos, parece simplesmente errada. E a questão toda se resume no fato de eu não fazer questão alguma de consertar esse erro.

E daí que eu me vejo como um borrão distorcido quando você não está perto de mim? E daí que eu acho normal a sua existência estabilizar o meu foco e dessa forma, eu ser capaz de me definir como um ser apenas?

Eu fico perdido sem os seus chifres perdidos nos meus. O meu reflexo parece simplesmente estúpido comparado ao que eu e você formamos no campo visual. Eu e você nos misturamos em uma coisa superior, perfeita - absoluta. Eu e você somos absolutos. Eu sequer começo a desejar partir o emaranhado dos seus chifres com os meus. Por favor, me faça mais humano então.

Me diga... Você já reparou que os nossos chifres sempre se entrelaçam?

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Marvin

Eu já tomei doses e mais doses, e mais um monte de gente já me ligou dizendo que eu deveria ir pra casa. Eu deveria ligar e ir pra casa, porque eu estive fora por muito tempo. Mas eu tenho passado tanto tempo fora de mim que eu vou pegar o telefone e te dizer:

Você está preocupada comigo agora? Eu só estou preso numa nuvem. E você quer saber por que? Pra que?

A garota com quem eu gostaria de estar está feliz com um outro cara, um homem de valor. Mas eu não sou um homem de valor, então com quem diabos você está?

Se você está lendo isso, é porque ele não está por perto. Eu sei que você se preocupa. Mas eu só estou dizendo que você poderia estar melhor. Me diga que você tem ouvido isso ultimamente e eu vou dizer que já imaginava.

E eu vou começar a te odiar só se você me pedir, porque eu talvez precise disso. Eu preciso odiar, sentir rancor, porque honestamente, eu não sinto muito mais do que isso.

Acho que sou viciado na minha solidão e no meu rancor. Eu acho que sou viciado nos meus próprios monstros, e eu gosto da minha própria cabeça pra poder passar tempo suficiente nela pra não saber viver no mundo real fora dela. Entenda que você os conhece - os que vivem nela, - então eu não os vou dar nome. Eu só estou tendo um tempo difícil para me ajustar a eles; vê a coincidência? (E você me pergunta se eu tenho bebido muito - eu só quero saber se você tem ouvido isso ultimamente.)

Eu só quero dispersar, espalhar. Quero me preocupar com segurar o seu cabelo enquanto você passa mal de tanta bebida no seu sangue, ouvindo o resto da festa dizer que eu e você somos dois loucos, mas que no fim das contas, no fim das festas, nós somos feitos um pro outro. Mas cá entre nós, estamos nossos respecitvos quartos, e eu penso se você tem pensado em mim, e se você tem ouvido muito ultimamente dos outros que poderia estar melhor. Tome um drink gelado agora. Vai te fazer sentir melhor; mas não vai te fazer se sentir mais viva.

Eu quero que você diga que não liga a mínima pra quem você conhece, ou acha que encontrou, e que você pensa apenas no que nós temos. Porque isso é estar melhor. E isso você não vai ouvir de ninguém que não de mim. Eu vou começar a odiar somente se você me forçar a isso.

Você não tem tempo mais, porque você tem vôos pela manhã, e eu me pergunto que porra você faz que é tão importante, ou mais importante. Eu tomo outro drink, gelado, e puta que pariu, eu não me sinto nem um centímetro mais vivo ou sólido.

Porque eu criei um paradoxo, aonde nós odiamos todo mundo aqui; então eu estou te ligando agora porque eu preciso de você, mesmo que você não queira me ouvir, agora que todos estão indo embora da festa. Eu estou tendo um instante, um momento, um minuto - eu estou tendo anos difíceis tentando me ajustar. E eu só estou dizendo isso porque você pode fazer melhor que eu. Porque eu preciso de alguém pra dividir o meu fardo. Mas você não virá, então eu estou em apuros. Embora você possa, e deva, estar melhor que isso.

Eu só estou te ligando pra dizer que eu não tenho mais nada pra acreditar. Agora, você pode me perguntar se eu tenho bebido demais. E eu penso que você não faria diferente no meu lugar. Eu sou viciado na minha própria consciência, até que toda ela tenha se desfeito e esteja tudo errado. Só estou te ligando pra dizer que eu espero que você não esteja gastando seu fôlego, como eu, sobre as coisas que você tem tanto medo em você mesma...

Eu simplesmente rezo pra que você não esteja. Eu simplesmente rezo pra que você venha.

E que por favor, você esteja melhor do que eu.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

O Fundo

Eu cheguei agora no meu quarto. Me deixe te contar como eu o vejo.

No fundo da minha cama, há um lago. E no fundo desse lago, vagam os seus amigos. Sim, os amigos, que você prima como pedras de milha. Nós nunca somos o que pretendemos, ou inventamos, não é? E eles não nadam. Eles não esboçam reação. Bem, deixe-me contar-te isso: eles estão todos mortos.

Existe algo de muito ruim, muito malicioso, muito mal no meu coração. E eu invento todas essa mentiras, e as atuo à perfeição, porque existe algo de muito sombrio vivendo no meu âmago.

Um cedro - o seu medo - foi atingido por um caçador, no fundo do coração, e agora as hienas o circundam com intenções pouco louváveis, e todas elas vieram para lhe expor as entranhas. Quando eu morrer, eu vou assistir as hienas te dilacerarem o peito orgulhoso.

Eu te oferecereria um quilo de cocaína numa bandeija de prata se eu achasse que isso te ajudaria a fugir. Não é esse o caso - nunca o será. Mas eu espero que você faça o mesmo por mim. Mesmo que não seja isso verdade.

Hoje eu te vi jogar o seu buquê de casamento para os seus amigos dormentes no fundo do lago da sua inoperância. E agora, o que eu devo fazer se a sua presença for a única coisa que me fizer me sentir um caçador ao invés da presa? Nós nunca somos o que pretendemos ou inventamos ser.

Se eu quisesse morrer antes de me tornar senil, eu teria começado a cavar a minha cova há muito tempo. Mas você me conhece: você sabe que a minha cova haveria de ter quatorze pés para me conter. Eu vou carregar a caixa com os seus ressentimentos pro resto da minha vida.

Me diga que quando nós falamos do Pai, Filho e Espírito Santo, você não pensa que nós apenas nos tornaremos pó. Me diga que você sente que dará virtude ao Pai, conforto ao Filho e Santidade ao Espírito. E me diga que você faria o mesmo por mim.

Eu preciso de você para sentir que o fundo do poço é o lugar que sempre evitei estar.

Mas espere. Porque agora eu penso em você todos os dias quando estou sozinho na minha cama, e os seus amigos começam a me tocar com as palmas sujas de ingenuidade infantil e a falta de foco que só eles poderiam ter. Eu espero que você faça o mesmo por mim. Porque eu não sou quem eu inventei ou pretendi ser: eu espero que você diga para mim que eu não sou metade tão ruim quanto eu achei que seria.

Porque à outra metade eu já não confio salvação. Mas eu espero que a sua seja a mão que vá me tirar do fundo da minha cama. Eu espero que você faça o mesmo por mim. Porque eu faria o mesmo por você.

Eu faria o mesmo por você.

Eu preciso de você pra me provar que o que eu quero é me levantar da minha cama toda manhã quando eu quiser simplesmente afundar e morrer.