Indecisão é foda... E olha que este que vos redige é a última pessoa de quem se poderia esperar qualquer tipo de relutância. Infelizmente, ter opções de mais é muito pior do que ter apenas uma, especialmente se essa uma for um porto-seguro, enquanto as que se amontoam com o passar dos dias são apostas de cassino.
Sempre fui um apostador, um jogador, um "daredevil", aquele cara que sempre escolhe o caminho difícil pelo prazer de correr riscos; e meu apego pelo incerto e pelo acaso cresce conforme a improbabilidade dos mesmos. Mas brincar de roleta-russa com uma variável é muito fácil... Quando surgem duas (ou três, no meu caso) é que a brincadeira começa a ficar doentia. Quando as variáveis são muitas, alguém sai machucado. Sempre. E é nessa situação em que me encontro.
Já machuquei muita gente, de formas inimagináveis, e consciente de tal. Não me arrependo. Aliás, outra característica muito forte minha: nunca vivi pra me arrepender das minhas ações. E se certa pessoa (quem é, sabe) estiver lendo isso - e imagino que esteja, conhecendo essa pessoa da forma que conheci - saiba que não me arrependo de nada. Guardo na memória todos os momentos bons como os momentos mais felizes de minha vida, e me responsabilizo pelos erros e pelos momentos de tristeza. Não voltaria atrás, nem no que foi bom, nem no que foi trágico.
Penso que, ao encarar um problema, ou uma situação que exija a tomada de um lado específico, deve-se decidir integralmente por um, e sofrer as consequências de tal. Certos sacrifícios tem de ser feitos nesse sentido; sim, é verdade. Mas sacrifícios não são realmente sacrifícios quando sangram em outras pessoas. E cá está o grande dilema, a grande contradição.
De um lado, têm-se a incerteza. A linda chance, o blefe de uma vida, todas as cores vibrantes de uma improbabilidade. Uma tempestade tropical - inconstante, arrebatadora em suas tempestades elétricas: encantadora - seguida da garoa, delicada garoa, doce e apaixonada. A aposta mais alta que o jogador que vos escreve já fez em toda a sua vida, e que não sabe dizer o quanto perdeu, e o quanto ganhou. A decepção de alguém querido, e a incompreensão de outros mais, guardados ainda mais próximos do coração, pelo amor à chuva.
Do outro, a serenidade. Pelo menos uma certeza na vida, algo a que se segurar nos momentos de fragilidade e nas eras de vacas magras. Uma aposta baixa, de cartas marcadas, que mesmo com um valor muito baixo, pode frutificar em algo muito mais áureo. Como um bom romance - seguro, agradável, revigorante -, como um final feliz, mas fácil de adivinhar, e prazeroso de se ler, mesmo já o sabendo de antemão. E paralelamente, assistir a minha tão adorada chuva de verão ir embora pela janela. Deixaria de expor muitos, mas não acho que aguentaria vê-la passar sem senti-la em meu rosto mais uma vez.
Olhando agora, parece que tudo se resume em ter uma escolha nas mãos. O difícil é saber em que mesa sentar. Meu espírito audacioso de jogador me diz pra sair pela porta, enquanto um passado cansado de angústias ordena que eu feche a janela. No final, tudo se resume a mais um jogo de poker.
Ironicamente (e eu não havia percebido isso até esse final), chove lá fora enquanto escrevo.
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Me perdoem aqueles que não entenderem absolutamente nada do que escrevi ali em cima. Prometo escrever algo mais coeso da próxima vez. Precisava desabafar. Postarei um conto, de autoria minha, no próximo post.
- Ao som de: Parkway Drive - It's Hard To Speak Without A Tongue -
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terça-feira, 24 de julho de 2007
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