quarta-feira, 29 de março de 2017

Paciência

Respirando de maneira constante e profunda, você inspira...
E se diz para não ficar tão ansioso quando as coisas demorarem a acontecer ao seu redor.
Você começa a contar. Comece com “dez”.
Respire de maneira fluída. Expire agora...
Um movimento por vez. Não conte até “nove” ainda.
Não desista ainda.
Você não é homem de desistir. Inspire outra vez, de forma leve, conte até “oito”.
Lembre-se de todas as vezes que te disseram que tudo tem seu tempo. Não deboche deles na sua mente.
Eles talvez não debochassem de você agora, afobado a conseguir tudo o que quer no mesmo instante em que abre a palma da sua mão. Conte até “sete”.
Agora, expire devagar. Empurre esses pensamentos de “mas talvez eles debochassem” para fora da sua mente enquanto o ar sai do seu corpo.
Existe um plano para todos nós, para você também. Inspire e conte até “sete” três vezes, talvez Deus te encontre.
Quando expirar, não conte até “seis” três vezes. Ele sabe exatamente onde você está, e que não precisa mais dele.
Você só precisa se acalmar. Respirar profundamente, e prestar atenção só no som da sua inspiração.
Conte até “cinco”.
Você se sente inspirado hoje. Você está aguardando coisas boas e grandes acontecerem ao seu redor.
Preste atenção na sua expiração, enquanto todas as coisas conspiram a seu favor, e conte até “quatro”.
Tudo o que pode ser feito por você, tem sido feito. Você está no caminho certo. Inspire mais uma vez.
Um pouco mais de paciência. Conte até “três”.
Agora que o final se aproxima, não se afobe. Não seja ansioso. Você sequer respeita a ansiedade das pessoas, então por que não se concentra na sua expiração, e conta até “dois”?
Se concentre só no que você tem que fazer, uma coisa por vez. Não tire a linha da água justo quando a isca está prestes a ser fisgada.
Dizem que o momento da desistência pode ser o momento que precede o milagre. Inspire e conte até “um”.
Então, observe ele acontecer enquanto você inspira pela última vez.
Abra os olhos; e veja acontecer a transformação, enquanto nada mudou de fato, mas o mundo lhe parece completamente diferente com o coração em paz.

E tudo o que te custou foi um pouco de paciência.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Rio Negro

Eu me tornei um homem simples, com desejos simples, gostos simples, sonhos simples. Eu desejo para sempre que estas vontades se mantenham anônimas. Não quero ser reconhecido quando minha embarcação passar. Eu tenho conforto na minha própria paz, sem você, só com meus planos simples. Esse é o meu momento, minha vida, e eu os viverei sozinho, como se eu fosse o último homem da terra. Eu não espero ou imagino que eu seja digno de pena, longe de mim. A pior coisa que eu poderia sofrer seria a pena alheia. Tampouco quero a complacência dos meus pares, não quero a simpatia de quem me tenta entender. Eu quero trilhar o meu caminho sozinho, gozar a minha paz. Eu não quero o seu juízo. Eu não quero a sua participação, não quero seus conselhos. Eu quero deitar na proa do meu próprio barco, admirando o céu da Amazônia, completamente sozinho. Meu caminho é árduo, mas eu tenho prazeres simples, então mesmo que meu caminho seja duro, eu quero ter a mim mesmo como guia e companhia e aproveitar o meu silêncio. Eu não quero ser seu bandeirante, não quero ser o aventureiro que marcou a sua estrada. Eu quero que você não me siga. Mesmo que a minha falta te doa. Quero que o seu carinho se transforme em respeito ao meu bote cruzando o rio em silêncio. Quero que você não me siga, porque eu não preciso de companhia. Este caminho me fez firme como uma pedra, e nesse lugar que a minha paz floresceu, você não sobreviveria. Eu nunca permitiria isso. Eu nunca seria seu ídolo, nunca seria seu salvador, você deveria saber melhor que isso. Eu sou um índio olhando o céu da noite, ouvindo o som das árvores em repouso, respirando o ar puro deste lugar remoto. Eu não te convidaria a desfrutar da minha paz comigo. Você não é bem-vindo na minha paz de espírito.