Você saberia diferenciar o alívio que sente da agonia que sentiu? Saberia dizer se do céu que você admira cairia o raio que te partiria a consciência em duas e te faria drão? Morte é a solidão que te agoura no escuro, no frio de uma noite em um verão que nunca morreu no seu peito, o seu caixão adornado com fotografias e recortes, temperaturas que você não saberia mais descrever. Os invernos debaixo da sua ausência são rigorosos. Olhe para outro lado e lave o sangue entre os dedos; o sangue que preenche o abismo dos nossos nomes gravados na parte interna das alianças feitas sem méritos, as enormes lacunas entre as nossas semelhanças. Você saberia me dizer para onde ir, ou de onde veio? Usaria o véu que cobre a minha mágoa no dia em que se fechasse a porta do meu último leito, colheria as rosas entoando cânticos que nascem dos orifícios aonde a sua fuga me feriu? Medo é o seu sangue desdenhoso, seu ardente desgosto, desgostosa relíquia; sua energia vital fluindo em suas curvas de sereia, como borboletas em seu estômago, em seu sétimo dia de prazer, as asas desfalecendo lentamente, se juntando ao pó que dança invisível no vento que sopra para longe o seu perdão. A sua carícia é um corte fundo no formato dos seus dedos, tamborilando outrora em minha pele, num gesto tímido e distante de afeto. Tamborilando. Reconhecer é parte de um ato lento de prevenir, e reconstruir. Tamborilando. Me diga por favor que sou um tolo. Tambor. Engatilhe a sua dúvida; aperte o gatilho.
Há um pequeno ponto negro no Sol hoje.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Reconhecimento
De todas as coisas que eu desejo, - e eu desejo o tempo todo, como uma criança - a que eu desejo com mais afinco é ser. E desejaria ter começado a ser mais cedo. Ou não ter começado de forma alguma. A transição do "existir" pra "ser" é como um batismo em águas profundas: você vai inevitavelmente abrir a boca para respirar, e vai engolir a água fria do mar, salgada como lágrimas, como se aquela água quisesse preencher o vazio no seu peito, e vai se afogar... E um dia vai acordar numa praia, em um lugar novo, e vai começar de novo; ou quem sabe, pela primeira vez. E mesmo estando sozinho, aquela sua velha conhecida Solidão não vai te encontrar. Você pode se sentir só, mas só você sabe o que é se sentir sozinho de verdade, não é? Mas ainda assim, você engoliu muita água do mar, salgada como lágrimas - lágrimas de quem? E esse sal não vai nunca sair de você. Vai se depositar entre as suas juntas, e vai te cortar como o frio quando você tentar seguir em frente; vai se acumular entre os olhos, e vai te fazer chorar quando você menos esperar. Vai fazer seu coração bombear ácido ao invés de sangue.
Essa dor vai te assombrar pro resto da sua vida recém-adquirida.
Você vai se perguntar inúmeras vezes ao longo do caminho se valeu a pena vir ao mundo; ao mundo da existência concreta, da vida ao invés da sobrevida de meramente "estar". Talvez você então acorde na sua cama, no escuro do seu quarto, torpado, e rindo como uma Hiena do seu pesadelo sentimentalista. Ainda intangível, ainda uma fortaleza, com seus dentes como adagas iluminando o escuro, e um cheiro de sangue como indiferença nos dedos. Então você saberá que ainda sobrevive. E você terá o mesmo pesadelo por vezes seguidas, recorrente, como um gosto amargo na boca, uma lembrança que insiste não ficar escondida no armário. E você chegará à praia, tentará andar, e acordará novamente, nesse ciclo persistente; até o dia em que cair na terra dura, e despertar novamente com o rosto no chão quente. Você não terá voltado ao escuro da sua cama, ao cheiro de enxofre do seu quarto. Então, você saberá que, finalmente, está vivo.
Essa dor vai te assombrar pro resto da sua vida recém-adquirida.
Você vai se perguntar inúmeras vezes ao longo do caminho se valeu a pena vir ao mundo; ao mundo da existência concreta, da vida ao invés da sobrevida de meramente "estar". Talvez você então acorde na sua cama, no escuro do seu quarto, torpado, e rindo como uma Hiena do seu pesadelo sentimentalista. Ainda intangível, ainda uma fortaleza, com seus dentes como adagas iluminando o escuro, e um cheiro de sangue como indiferença nos dedos. Então você saberá que ainda sobrevive. E você terá o mesmo pesadelo por vezes seguidas, recorrente, como um gosto amargo na boca, uma lembrança que insiste não ficar escondida no armário. E você chegará à praia, tentará andar, e acordará novamente, nesse ciclo persistente; até o dia em que cair na terra dura, e despertar novamente com o rosto no chão quente. Você não terá voltado ao escuro da sua cama, ao cheiro de enxofre do seu quarto. Então, você saberá que, finalmente, está vivo.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Sobre o campeonato brasileiro 2009 e as suas lições
É macacada.
2009 está acabando, e ontem acabou o campeonato.
Pois é, o Flamengo conquistou o título, com uma forcinha do Fluminense e Botafogo (só conferir os conflitos diretos dos dois times com os times do G4).
Agora, o Flamengo já é oficialmente Penta (1987 não vale, e nunca valerá).
Mas, vou te contar. Foi tenso ontem após o fim. As ruas viraram um verdadeiro pandemônio. Deu medo. Parecia aqueles filmes em que o fim do mundo se aproxima, os cavaleiros do apocalipse descem dos céus e a população enlouquecida vai às ruas destruir tudo que vê.
Eu saí da minha casa e fui levar minha namorada em casa em Icaraí. Flamenguistas bêbados ocupavam a rua. Tive que forçar a passagem, quase atropelando alguns. Por sorte, não sujei meu carro.
No caminho, em frente ao Fórum da Região oceânica, flamenguistas, comemorando um título queimaram um carro e dançavam em volta do fogo, como uma tribo africana.
Queimaram. Um. Carro.
Isso, porque GANHARAM o campeonato. Puta merda. Imagino se tivessem perdido.
Iriam sequestrar um ônibus, fazer os passageiros de refém, estuprar os passageiros, matá-los, estrupá-los novamente, estuprar o ônibus, e tacar fogo em tudo.
Em São Francisco, alguns imbecis caíram dentro do esgoto. Sei que é normal para a torcida rubro-negra tomar banho no esgoto, mas cair lá dentro bêbado é perigoso. Pode não achar a saída... ou morrer afogado.
Nenhuma grande perda, de qualquer forma.
*
*
*
Bem, de qualquer forma, vamos deixar de falar mal dos outros e falar do que o campeonato brasileiro nos ensinou.
Pelo menos do que me ensinou.
Sou tricolor e vou dizer: teve momentos em que chorei que nem uma garotinha nesse campeonato.
Não sei direito explicar o que aconteceu esse ano, mas só sei que, no meio do ano, éramos lanterna do campeonato há umas 10 rodadas, ficamos 22 jogos sem ganhar (11 jogos sem ganhar, 1 vitória, 11 jogos sem ganhar). 98,5% é uma porcentagem absurda. Eu, sinceramente, já estava conformado com a queda.
Mas aí, tudo mudou.
Afinal, a vida é assim, não é?
Tinha uma única esperança: ganhar tudo. E foi o que fizemos.
Acreditamos, porque acreditar que era possível era tudo que era possível fazer.
Cara, eu já disse que chorei que nem uma garotinha. Mas foi mais de emoção, pela interação que a torcida e os jogadores tiveram do que por qualquer outra coisa.
Na final da Copa Sulamericana, quando perdemos, e a torcida começou a cantar pros jogadores, que foram pro meio de campo agradecer o esforço, não teve como segurar as lágrimas. Foi demais.
Se teve uma coisa que deu pra aprender é que realmente, nada é impossível.
Muito matemático deve ter torcido contra o Fluminense, para não ir parar no olho da rua.
Mas o que eu quero dizer, é que isso aqui não é só uma declaração para um time.
É uma mensagem de otimismo.
O que quero dizer é que, por mais manjado e idiota que possa parecer, não há coisa impossível. Então, não desista. Acredite, lute com força, que dá.
Pode parecer gay, discursozinho, lição de moral, mas não é. É o retrato de uma experiência real. E emocionante. E aí está, o Fluminense na Série A, para provar, o time do impossível.
*
*
*
E parabéns a todos os times cariocas, por estarem novamente juntos na elite do futebol!
No final de contas, parece todos saíram felizes, não?
*
*
*
Bônus?

2009 está acabando, e ontem acabou o campeonato.
Pois é, o Flamengo conquistou o título, com uma forcinha do Fluminense e Botafogo (só conferir os conflitos diretos dos dois times com os times do G4).
Agora, o Flamengo já é oficialmente Penta (1987 não vale, e nunca valerá).
Mas, vou te contar. Foi tenso ontem após o fim. As ruas viraram um verdadeiro pandemônio. Deu medo. Parecia aqueles filmes em que o fim do mundo se aproxima, os cavaleiros do apocalipse descem dos céus e a população enlouquecida vai às ruas destruir tudo que vê.
Eu saí da minha casa e fui levar minha namorada em casa em Icaraí. Flamenguistas bêbados ocupavam a rua. Tive que forçar a passagem, quase atropelando alguns. Por sorte, não sujei meu carro.
No caminho, em frente ao Fórum da Região oceânica, flamenguistas, comemorando um título queimaram um carro e dançavam em volta do fogo, como uma tribo africana.
Queimaram. Um. Carro.
Isso, porque GANHARAM o campeonato. Puta merda. Imagino se tivessem perdido.
Iriam sequestrar um ônibus, fazer os passageiros de refém, estuprar os passageiros, matá-los, estrupá-los novamente, estuprar o ônibus, e tacar fogo em tudo.
Em São Francisco, alguns imbecis caíram dentro do esgoto. Sei que é normal para a torcida rubro-negra tomar banho no esgoto, mas cair lá dentro bêbado é perigoso. Pode não achar a saída... ou morrer afogado.
Nenhuma grande perda, de qualquer forma.
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Bem, de qualquer forma, vamos deixar de falar mal dos outros e falar do que o campeonato brasileiro nos ensinou.
Pelo menos do que me ensinou.
Sou tricolor e vou dizer: teve momentos em que chorei que nem uma garotinha nesse campeonato.
Não sei direito explicar o que aconteceu esse ano, mas só sei que, no meio do ano, éramos lanterna do campeonato há umas 10 rodadas, ficamos 22 jogos sem ganhar (11 jogos sem ganhar, 1 vitória, 11 jogos sem ganhar). 98,5% é uma porcentagem absurda. Eu, sinceramente, já estava conformado com a queda.
Mas aí, tudo mudou.
Afinal, a vida é assim, não é?
Tinha uma única esperança: ganhar tudo. E foi o que fizemos.
Acreditamos, porque acreditar que era possível era tudo que era possível fazer.
Cara, eu já disse que chorei que nem uma garotinha. Mas foi mais de emoção, pela interação que a torcida e os jogadores tiveram do que por qualquer outra coisa.
Na final da Copa Sulamericana, quando perdemos, e a torcida começou a cantar pros jogadores, que foram pro meio de campo agradecer o esforço, não teve como segurar as lágrimas. Foi demais.
Se teve uma coisa que deu pra aprender é que realmente, nada é impossível.
Muito matemático deve ter torcido contra o Fluminense, para não ir parar no olho da rua.
Mas o que eu quero dizer, é que isso aqui não é só uma declaração para um time.
É uma mensagem de otimismo.
O que quero dizer é que, por mais manjado e idiota que possa parecer, não há coisa impossível. Então, não desista. Acredite, lute com força, que dá.
Pode parecer gay, discursozinho, lição de moral, mas não é. É o retrato de uma experiência real. E emocionante. E aí está, o Fluminense na Série A, para provar, o time do impossível.
*
*
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E parabéns a todos os times cariocas, por estarem novamente juntos na elite do futebol!
No final de contas, parece todos saíram felizes, não?
*
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Bônus?

EDIT: LOL!

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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Elefante
Então o que você resolveu, querida? E por que demorou tanto? Eu queria que tivesse algo que pudesse te manter aqui, eu queria que houvesse algo de errado comigo, mas não há. Tem que haver algo errado. Essas desculpas assumiram o controle. Então por que não dizer as coisas presas na sua cabeça e nunca ditas? Talvez você as diga o suficiente pra querer acreditar nelas. É assim que será? Como chegamos ao ponto em que amar se tornou tão doloroso? Aonde chegamos, querida? Eu não tenho o que dizer, porque tudo que eu posso dizer é pedir que você me entenda, e se eu pudesse pedir isso pra alguém, pediria pra mim mesmo antes de qualquer outro. Está tudo errado, aqui na savana. Já sentiu algo como sua personalidade se dividindo em duas? Três, quatro, oito? Quantas? Sabe o que é a dor do espírito? Não acredito que saiba, e nem acredito que lerás isso, então em frente com a orquestra, com esse balé de vultos em volta do leme. Eu dormi ontem à noite achando que te veria morta dentro do seu quarto, sabendo que você se sente tão sozinha lá dentro. Não importa as escolhas, você nunca saberá que nunca estará sozinha, e que eu estarei aqui, perdido em algum lugar do meu inferno particular. Deve ter algo de errado comigo. Por favor, me diga que há algo errado comigo, pra que eu possa me responsabilizar e consertar, eu mesmo, não ser medo. Eu nem sei que horas são, e pouco me importa. Perdi a noção do tempo enquanto preparava a nossa fuga para os lugares em que podíamos nos confortar. Tenho certeza que podíamos sair daqui até meia hora atrás. Tenho certeza que nunca nos livraremos dos sentimentos que isso agrega, e que é melhor eu não me importar. Se eu me sinto sozinho? O tempo todo. Mas se você vier comigo, então eu posso te mostrar que essas vidas que sentimos podem ser verdadeiras. Se você tirar seu tempo pra olhar em volta, não há nada de errado comigo. Não há nada de errado comigo que eu já não tenha mostrado. Não há nada errado comigo que já não tenha sido visto.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Slow Motion
Nada é tão pueril quanto o conjunto das palavras. Hoje eu posso dizer com todo o orgulho que eu desperdicei meu tempo. Posso afirmar com todo o orgulho que meu remorso me permite ter: sou representante de uma juventude perdida. O avatar de um potencial jogado fora, o estandarte de um coletivo cujas mentes não olham pro mundo com o mesmo carinho que examinam o próprio nariz. Me pergunto se sempre fora assim; se meus pais, com meus dezenove anos, também tinham a minha falta de determinação. E em caso positivo, se é esse defeito hereditário. E mais importante, se é esse defeito contornável, reparável. A sensação mais triste que um homem pode carregar no peito marcado é o desperdício. E o tempo não volta, o mundo não para, não existe magia, vacina, oração, não existe milagre, não existe solução instantânea. Tantas chances e tanta negligência, tanta pressa, tanta insegurança, tanta angústia, e o ponteiro marchando incansável em direção à lástima de se ver a vida passar, a capacidade bater forte contra o lado interno do tórax e implorar pra ser lembrada; o exercício te olha nos olhos e resignado, olha para outro lado, como o infiel nega a visão da cruz, e diz o que seus pais, seus mentores, e seus ídolos diriam, "que perda". Quantos passos o relógio deu em direção ao fim desde que comecei a perder minha identidade? Quanto tempo me resta pra começar de novo, e quanto tempo me restará até que eu enfim comece? Não existe retorno e as saídas perdidas vão ficar no campo do improvável. Pare de mentir para si mesmo e vá atrás do que deixou de lado. Eu tenho vivido em câmera lenta. Quantas voltas o mundo deu e eu não vi desde que comecei a escrever isso?
sábado, 7 de novembro de 2009
Formas idiotas que já me machuquei
Tem que ter estômago, hein galera!
Inaugurando a Sendas:
Ano 2000. Ou 99, 98. O Itaipu Multicenter tinha acabado de inaugurar. O Supermercado Sendas, consequentemente, também.
Naquela época eu era uma criança mongol (hoje sou um jovem adulto imbecil).
Entrei naquele Supermercado lindo, gigante, maravilhoso, com o chão lustrado brilhando de novo.
Entrei correndo, escorreguei, caí de costas, em cheio no chão, derrubando uma prateleira de produtos de limpeza no trajeto ar/chão.
Uma velhinha que passava me perguntou: "É uma pegadinha?".
Não lembro o que disse, só lembro que não mandei a velha ir se foder.
O trauma da casca da pipoca:
Ano 2000. Ou 99. Com certeza não era 98.
Fui no cinema Icaraí com uns amiguinhos (incluino o Oráculo) ver Pokémon - O Filme.
No meio da sessão engasguei com uma pipoca.
Mesmo meia-hora depois, apesar de ter bebido água, etc, ainda conseguia sentir a casquinha da pipoca na minha garganta. Senti ela lá durante 6 meses.
Fiquei 6 meses sem conseguir comer nada sólido, só bebendo líquidos (sopas e caldo de feijão), com medo de engasgar.
Quando me perguntavam, eu falava que estava de dieta.
Eu era muito gordo com 10 anos.
Mas a sequela psicológica me fez emagrecer 12 quilos.
Melhor do que Cogumelo do Sol.
Nunca mais aguentei tomar sopa na minha vida.
Bola 1 (ou , cortando o dedo jogando sinuca):
Fui passar um feriado de 2003 num sítio para funcionários públicos com meus pais e um amigo.
Fomos nós dois jogar Sinuca na área de jogos.
Eu sempre fui ótimo na sinuca. Só sou ruim de acertar as bolas. E firmar o taco. E encaçapar.
Bem, fui tentar firmar o taco, fazendo-o correr na direção do meu indicador esquerdo para acertar a bola branca, enquanto eu segurava o taco com a mão direita.
Ao dar a estocada na bola, esfolei meu dedo com a ponta do taco.
Arranquei boa parte da pele do meu indicador esquerdo e caguei o tapetinho verde todo de sangue.
Saí dali logo para dar o benefício da dúvida aos funcionários do hotel quanto à mancha na mesa.
Grampeando o Dedo:
Essa é clássica. Quem nunca grampeou o dedo?
Bem, eu não conheço ninguém além de mim.
Botei a folha de papel debaixo do grampo, abaixei pra grampear, dei uma porrada no grampeador... mas esqueci de tirar meu dedo de baixo.
O grampo cravou no meu dedo.
Foi uma dor excruciante ter um pedaço de metal dentro do meu dedo, ainda que pouco mais de 1 cm. Arrancar o grampo foi pior ainda. Sangrou horrores depois. E ainda acertei um nervo que inchou meu indicador.
Não grampeiem o dedo, falou?
Fica a dica.
OBS: Esse ano agora, em 2009, no meu estágio da defensoria, contando essa história para uma colega de trabalho, resolvi demonstrar pra ela o que tinha ocorrido. Enquanto ela segurava o grampeador, fui mostrar a posição do grampo...mas sem querer, fiz a mola do grampeador correr, cortando a mão da garota. Fiquei com um certo remorso por ser tão atrapalhado.
(...)
Ainda bem que não foi comigo.
Batendo no poste (andando):
Essa foi no meu condomínio, e a única que deixou mesmo uma cicatriz. Minha namorada estava vindo de ônibus para o meu condomínio, mas estava faltando dinheiro da passagem dela, então eu saí de casa e fui andando pro ponto para encontrá-la e completar os 5 centavos que faltavam que o cobrador ficava enchendo saco.
No caminho, tropecei num paralelepípedo solto, e bati com a mão em um poste.
Um poste, parado, desses de luz.
Cortou a minha mão de uma forma que nunca tinha cortado antes.
O sangue parecia água conforme ia saindo da minha mão.
Segurei a minha mão com a outra, mas ainda tinha que levar os 5 centavos no ponto de ônibus. Só que o dinheiro estava na minha calça, e eu não podia meter a mão não cortada, senão ia cagar minha calça toda!
Saí do condomínio e andei até o ponto.
Pedi para uma mulher: "Ei, por favor, coloque a mão no meu bolso e pegue 5 centavos?"
A mulher recuou horrorizada, vendo o sangue pingar da minha mão que pressionava a outra, jogou 5 centavos que ela tina no chão e saiu correndo.
Foi tenso pegar os 5 centavos do chão.
Paguei o ônibus e minha namorada queria me levar pra um hospital pra dar ponto.
Não dei ponto, por preguiça e por medo.
Em um mês cicatrizou, deixando uma cicatriz de recordação, e como lição para nunca bater em um poste denovo no futuro, andando ou de carro.
Bola Murcha:
A Faculdade de Direito da UFF possui uma quadra poliesportiva. Porque temos, eu não sei.
Só sei que o pessoal joga bola frequentemente.
Eu sempre fui um merda no futebol, uma vergonha.
Sempre era o último a ser escolhido quando tiravam time na aula de educação física.
Na verdade, eu não era escolhido. Sobravam eu e outro cara, escolhiam o outro cara e eu ficava com o outro time.
No entanto, um dia desses resolvi jogar uma pelada com o pessoal. Só tinham uns 7 caras, 8 comigo. Que mal poderia haver?
Fui lá, jogando, mal.
Todos fizeram 3, 4 gols pelo menos.
Eu estava lá há quase 1 hora, morto de cansaço, respirando como um porco (totalmente fora de forma).
Até que a bola veio parar no meu pé e eu estava no ataque.
Corri para a área, driblei um zagueiro (!), entrei na pequena área, driblei o goleiro (!!!), fiquei na cara do gol... e errei.
Mas não "errei" apenas.
Foi épico. Quando fui chutar a bola com o pé esquerdo, a bola andou. Chutei o ar vazio, perdi o equilíbrio e cai (novamente) de costas, sem camisa e suado, estatelado no chão.
Levantei com as costas sujas da poeira do chão, com todos rindo de mim.
Se tivessem filmado a cena, não tenho dúvidas de que eu ganharia o troféu de "Bola Murcha" do Fantástico.
Essa eu podia ter previsto...
A Escada Rolante:
Essa não precisa nem falar, né?
Armando a barraca:
Idiotice clássica.
Fui na praia de Camboinhas com a namorada e uns amigos.
Chegando lá, peguei o pau da barraca, e como macho alfa do grupo, resolvi armar a barraca.
Enfiei o pau na areia (*bateria*). Mas na primeira vez não foi fundo o bastante.
Então, me preparei para a segunda estocada.
Concentrei toda minha força em minhas pernas para fornecer um apoio para me dar força, coloque força nos meus braços e enfiei o pau da barraca na areia com tudo.....
....incluindo a minha cara.
Eu enfiei o pau com tanta força que me abaixei. Meu rosto foi de encontro com um ferro na haste, onde fixaria a parte superior da barraca.
Cortei o queixo no meio da praia lotada.
Não foi muito fundo, pelo menos. Fui na água limpar o sangue escorrendo.
Parar estancar o sangue e disfarçar o machucado. Fiquei com a mão no queixo e com uma sombrancelha erguida, fazendo pose de intelectual o resto da tarde.
Meu amor incondicional pela humanidade:
Estava eu no Sam's Club fazendo compras, quando vejo aqueles rolos de papel alumínio (aqueles de cozinha).
Vejo que tem um rolo padrão de 7,5m vendendo, bem como um rolo MUITO maior, de 100 m.
Perplexo, pego aquele rolo e sinto o peso.
Penso: "Meu Deus, isso aqui é quase uma pedra! Pode matar alguém se acertar na cabeça!".
Burro, resolvi testar a minha teoria...em mim mesmo.
Dei uma pancada (não muito forte, pra falar a verdade), meio que de brincadeira no meu cocoruto (parte de trás da cabeça, para quem não sabe).
Só escutei um barulho oco, e desarmei no chão.
Dessa vez cai estatelado de frente, para variar. Incrivelmente, apesar de não ter reação nem pra colocar a mão na minha frente, não me machuquei.
Acho que nem cheguei a desmaiar, porque logo depois, me levantei. Ninguém me viu caindo, e se viu, ninguém parou pra me ajudar.
Levantei, coloquei o rolo no lugar, e saí andando, meio tonto.
As coisas que eu não faço por amor à humanidade....
Inaugurando a Sendas:
Ano 2000. Ou 99, 98. O Itaipu Multicenter tinha acabado de inaugurar. O Supermercado Sendas, consequentemente, também.
Naquela época eu era uma criança mongol (hoje sou um jovem adulto imbecil).
Entrei naquele Supermercado lindo, gigante, maravilhoso, com o chão lustrado brilhando de novo.
Entrei correndo, escorreguei, caí de costas, em cheio no chão, derrubando uma prateleira de produtos de limpeza no trajeto ar/chão.
Uma velhinha que passava me perguntou: "É uma pegadinha?".
Não lembro o que disse, só lembro que não mandei a velha ir se foder.
O trauma da casca da pipoca:
Ano 2000. Ou 99. Com certeza não era 98.
Fui no cinema Icaraí com uns amiguinhos (incluino o Oráculo) ver Pokémon - O Filme.
No meio da sessão engasguei com uma pipoca.
Mesmo meia-hora depois, apesar de ter bebido água, etc, ainda conseguia sentir a casquinha da pipoca na minha garganta. Senti ela lá durante 6 meses.
Fiquei 6 meses sem conseguir comer nada sólido, só bebendo líquidos (sopas e caldo de feijão), com medo de engasgar.
Quando me perguntavam, eu falava que estava de dieta.
Eu era muito gordo com 10 anos.
Mas a sequela psicológica me fez emagrecer 12 quilos.
Melhor do que Cogumelo do Sol.
Nunca mais aguentei tomar sopa na minha vida.
Bola 1 (ou , cortando o dedo jogando sinuca):
Fui passar um feriado de 2003 num sítio para funcionários públicos com meus pais e um amigo.
Fomos nós dois jogar Sinuca na área de jogos.
Eu sempre fui ótimo na sinuca. Só sou ruim de acertar as bolas. E firmar o taco. E encaçapar.
Bem, fui tentar firmar o taco, fazendo-o correr na direção do meu indicador esquerdo para acertar a bola branca, enquanto eu segurava o taco com a mão direita.
Ao dar a estocada na bola, esfolei meu dedo com a ponta do taco.
Arranquei boa parte da pele do meu indicador esquerdo e caguei o tapetinho verde todo de sangue.
Saí dali logo para dar o benefício da dúvida aos funcionários do hotel quanto à mancha na mesa.
Grampeando o Dedo:
Essa é clássica. Quem nunca grampeou o dedo?
Bem, eu não conheço ninguém além de mim.
Botei a folha de papel debaixo do grampo, abaixei pra grampear, dei uma porrada no grampeador... mas esqueci de tirar meu dedo de baixo.
O grampo cravou no meu dedo.
Foi uma dor excruciante ter um pedaço de metal dentro do meu dedo, ainda que pouco mais de 1 cm. Arrancar o grampo foi pior ainda. Sangrou horrores depois. E ainda acertei um nervo que inchou meu indicador.
Não grampeiem o dedo, falou?
Fica a dica.
OBS: Esse ano agora, em 2009, no meu estágio da defensoria, contando essa história para uma colega de trabalho, resolvi demonstrar pra ela o que tinha ocorrido. Enquanto ela segurava o grampeador, fui mostrar a posição do grampo...mas sem querer, fiz a mola do grampeador correr, cortando a mão da garota. Fiquei com um certo remorso por ser tão atrapalhado.
(...)
Ainda bem que não foi comigo.
Batendo no poste (andando):
Essa foi no meu condomínio, e a única que deixou mesmo uma cicatriz. Minha namorada estava vindo de ônibus para o meu condomínio, mas estava faltando dinheiro da passagem dela, então eu saí de casa e fui andando pro ponto para encontrá-la e completar os 5 centavos que faltavam que o cobrador ficava enchendo saco.
No caminho, tropecei num paralelepípedo solto, e bati com a mão em um poste.
Um poste, parado, desses de luz.
Cortou a minha mão de uma forma que nunca tinha cortado antes.
O sangue parecia água conforme ia saindo da minha mão.
Segurei a minha mão com a outra, mas ainda tinha que levar os 5 centavos no ponto de ônibus. Só que o dinheiro estava na minha calça, e eu não podia meter a mão não cortada, senão ia cagar minha calça toda!
Saí do condomínio e andei até o ponto.
Pedi para uma mulher: "Ei, por favor, coloque a mão no meu bolso e pegue 5 centavos?"
A mulher recuou horrorizada, vendo o sangue pingar da minha mão que pressionava a outra, jogou 5 centavos que ela tina no chão e saiu correndo.
Foi tenso pegar os 5 centavos do chão.
Paguei o ônibus e minha namorada queria me levar pra um hospital pra dar ponto.
Não dei ponto, por preguiça e por medo.
Em um mês cicatrizou, deixando uma cicatriz de recordação, e como lição para nunca bater em um poste denovo no futuro, andando ou de carro.
Bola Murcha:
A Faculdade de Direito da UFF possui uma quadra poliesportiva. Porque temos, eu não sei.
Só sei que o pessoal joga bola frequentemente.
Eu sempre fui um merda no futebol, uma vergonha.
Sempre era o último a ser escolhido quando tiravam time na aula de educação física.
Na verdade, eu não era escolhido. Sobravam eu e outro cara, escolhiam o outro cara e eu ficava com o outro time.
No entanto, um dia desses resolvi jogar uma pelada com o pessoal. Só tinham uns 7 caras, 8 comigo. Que mal poderia haver?
Fui lá, jogando, mal.
Todos fizeram 3, 4 gols pelo menos.
Eu estava lá há quase 1 hora, morto de cansaço, respirando como um porco (totalmente fora de forma).
Até que a bola veio parar no meu pé e eu estava no ataque.
Corri para a área, driblei um zagueiro (!), entrei na pequena área, driblei o goleiro (!!!), fiquei na cara do gol... e errei.
Mas não "errei" apenas.
Foi épico. Quando fui chutar a bola com o pé esquerdo, a bola andou. Chutei o ar vazio, perdi o equilíbrio e cai (novamente) de costas, sem camisa e suado, estatelado no chão.
Levantei com as costas sujas da poeira do chão, com todos rindo de mim.
Se tivessem filmado a cena, não tenho dúvidas de que eu ganharia o troféu de "Bola Murcha" do Fantástico.
Essa eu podia ter previsto...
A Escada Rolante:
Essa não precisa nem falar, né?
Armando a barraca:
Idiotice clássica.
Fui na praia de Camboinhas com a namorada e uns amigos.
Chegando lá, peguei o pau da barraca, e como macho alfa do grupo, resolvi armar a barraca.
Enfiei o pau na areia (*bateria*). Mas na primeira vez não foi fundo o bastante.
Então, me preparei para a segunda estocada.
Concentrei toda minha força em minhas pernas para fornecer um apoio para me dar força, coloque força nos meus braços e enfiei o pau da barraca na areia com tudo.....
....incluindo a minha cara.
Eu enfiei o pau com tanta força que me abaixei. Meu rosto foi de encontro com um ferro na haste, onde fixaria a parte superior da barraca.
Cortei o queixo no meio da praia lotada.
Não foi muito fundo, pelo menos. Fui na água limpar o sangue escorrendo.
Parar estancar o sangue e disfarçar o machucado. Fiquei com a mão no queixo e com uma sombrancelha erguida, fazendo pose de intelectual o resto da tarde.
Meu amor incondicional pela humanidade:
Estava eu no Sam's Club fazendo compras, quando vejo aqueles rolos de papel alumínio (aqueles de cozinha).
Vejo que tem um rolo padrão de 7,5m vendendo, bem como um rolo MUITO maior, de 100 m.
Perplexo, pego aquele rolo e sinto o peso.
Penso: "Meu Deus, isso aqui é quase uma pedra! Pode matar alguém se acertar na cabeça!".
Burro, resolvi testar a minha teoria...em mim mesmo.
Dei uma pancada (não muito forte, pra falar a verdade), meio que de brincadeira no meu cocoruto (parte de trás da cabeça, para quem não sabe).
Só escutei um barulho oco, e desarmei no chão.
Dessa vez cai estatelado de frente, para variar. Incrivelmente, apesar de não ter reação nem pra colocar a mão na minha frente, não me machuquei.
Acho que nem cheguei a desmaiar, porque logo depois, me levantei. Ninguém me viu caindo, e se viu, ninguém parou pra me ajudar.
Levantei, coloquei o rolo no lugar, e saí andando, meio tonto.
As coisas que eu não faço por amor à humanidade....
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Maria
Posto aqui um texto redigido pelo amigo Pedro Stelling, que me pediu pra colocar esse poema no blog. E aí está! :D
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Com a aurora vem o despertar
Com o sol, a solidão.
Apenas sou,
Não há ninguém.
Procuro, e não há ninguém
Insisto, e ela não vem.
Passa o dia, aumenta o calor
Aumenta a dor,
Cresce o pavor.
Pavor da solidão, do que sente o coração
Pavor de ser,
E medo de dar a mão.
Ao crepúsculo, a luz se vai
A vontade se esvai
E a solidão persiste.
O silêncio que eu grito
Sai rouco, sai triste,
Pois apenas de aflição consiste.
Sentado em minha cadeira,
vago pela escuridão
à procura dela.
Minha paz, meu açoite,
Meu viver, minha noite
Minha droga, meu tudo.
Meu tudo, contudo, está vazio
Está frio
Suas cinzas, pelo rio.
Deito com o dia claro, a noite já é passado
Assim como Maria.
Vou sonhar com Maria.
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Cheers pro Stelling!
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Com a aurora vem o despertar
Com o sol, a solidão.
Apenas sou,
Não há ninguém.
Procuro, e não há ninguém
Insisto, e ela não vem.
Passa o dia, aumenta o calor
Aumenta a dor,
Cresce o pavor.
Pavor da solidão, do que sente o coração
Pavor de ser,
E medo de dar a mão.
Ao crepúsculo, a luz se vai
A vontade se esvai
E a solidão persiste.
O silêncio que eu grito
Sai rouco, sai triste,
Pois apenas de aflição consiste.
Sentado em minha cadeira,
vago pela escuridão
à procura dela.
Minha paz, meu açoite,
Meu viver, minha noite
Minha droga, meu tudo.
Meu tudo, contudo, está vazio
Está frio
Suas cinzas, pelo rio.
Deito com o dia claro, a noite já é passado
Assim como Maria.
Vou sonhar com Maria.
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Cheers pro Stelling!
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