Se o Paraíso é uma festa, eu quero morrer e assombrar a minha própria casa.
Muito depois de toda a minha família ter saído dela, e durante todo o tempo em que ela decair em escombros. Eu vou apreciar cada segundo do silêncio que se abasterá sobre o meu antigo quarto. Eu vou dançar na cozinha onde eu nunca verdadeiramente pus os pés.
Se o Paraíso é um bordel, tocando jazz sensual e lento toda a noite, lindas garotas fazendo strip, e uma solidão que não termina, eu estarei lá.
Posso muito bem já ter chegado lá, e só não ter me dado conta. "Lá" pode ser na verdade "aqui", e com certeza se faz sentir dessa forma.
Se o Paraíso é uma conversa animada com pessoas interessantes, e tão veloz que não se vê o tempo passar, eu vou para o Inferno.
Se o Paraíso é a morada dos homens que produzem como árvores, constróem como se elevassem impérios, mas não vêem motivos para sorrir, eu aconselho desde já: pare de trabalhar e assombre a sua própria casa.
Porque os opostos se confundem completamente aqui. Nada é absoluto ou absolutamente, e esses dois extremos não se misturam e equivalem a um ponto mediano; pelo menos, não todo o tempo. Não seria este o Inferno se não se pudesse ser mediano, medíocre, vulgar e banal por um momento, ou mais de um, ou mais de uma dessas qualificações em mais de um sentido ao mesmo tempo.
Se o Paraíso é reservado para os virtuosos, os que abdicam da refeição completa pelas sobras, pelo próximo, os que se completam, eu encontrarei os outros, os deixados de lado, no Inferno.
Eu sou a Ira, a ganância, a luxúria, a gula, o orgulho, a inveja, e um minuto de preguiça para aproveitar tudo isso.
Eu quero uma refeição completa, nada de sobras. Eu estou cercado de pecados, capitais, os mais abissais, e eu não me sinto no Inferno. Então talvez, o que me falte seja simplesmente mandar a mim mesmo pra lá.
Que eu pra sempre mande a mim mesmo pro Inferno.
Pro Inferno comigo mesmo.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
domingo, 8 de abril de 2012
A Casa das Mentiras
Essa casa é uma ilusão.
Essas paredes, esse amor, esse carinho, todos esses são falácias.
Este é o circo do sol. Enquanto Ele estiver de pé, a iluminar a nós todos, nós somos uma trupe. Somos bailarinos executando passos em que não acreditamos. Somos palhaços rindo sorrisos que não nos pertencem, até o Sol se pôr.
E quando ele se pôr, o circo fecha as portas, e somos todos animais.
As hienas estão soltas essa noite e todos nós pensamos ser mais um truque de malabarismo.
Se todos os seus familiares mentirem pra você, bem vindo.
Bem vindo ao Circo do Sol.
Porque quando o Sol se põe, começa a realidade. E você não a conhece.
Você e toda a sua arrogância, sua megalomania de achar que toda a vida responde a você.
Você começa e termina todas as suas frases com você.
Você não vê?
As pessoas tendem a me dizer que tudo está bem, tudo são flores, até que você descobre que você conjuga todas as frases com "eu" no começo e no fim.
E você pensa: eu não sou tão egocêntrico assim.
É verdade. Você não se perdeu tanto assim.
Bem que você gostaria.
Mas isso é você gritando que você quer ser reconhecido como qualquer coisa que você o seja.
Sem fingimento. Sem interpretação.
Você é capaz?
Você reza todo dia pra se cercar de coisas reais, mas o mais real que você conhece é você mesmo e seus defeitos.
E você pensa:
"Será que eu estou tão preso ao que eu me lembro de mim mesmo?"
Este é o Circo do Sol. O Sol se põe, e nós somos animais livres.
Essas paredes, esse amor, esse carinho, todos esses são falácias.
Este é o circo do sol. Enquanto Ele estiver de pé, a iluminar a nós todos, nós somos uma trupe. Somos bailarinos executando passos em que não acreditamos. Somos palhaços rindo sorrisos que não nos pertencem, até o Sol se pôr.
E quando ele se pôr, o circo fecha as portas, e somos todos animais.
As hienas estão soltas essa noite e todos nós pensamos ser mais um truque de malabarismo.
Se todos os seus familiares mentirem pra você, bem vindo.
Bem vindo ao Circo do Sol.
Porque quando o Sol se põe, começa a realidade. E você não a conhece.
Você e toda a sua arrogância, sua megalomania de achar que toda a vida responde a você.
Você começa e termina todas as suas frases com você.
Você não vê?
As pessoas tendem a me dizer que tudo está bem, tudo são flores, até que você descobre que você conjuga todas as frases com "eu" no começo e no fim.
E você pensa: eu não sou tão egocêntrico assim.
É verdade. Você não se perdeu tanto assim.
Bem que você gostaria.
Mas isso é você gritando que você quer ser reconhecido como qualquer coisa que você o seja.
Sem fingimento. Sem interpretação.
Você é capaz?
Você reza todo dia pra se cercar de coisas reais, mas o mais real que você conhece é você mesmo e seus defeitos.
E você pensa:
"Será que eu estou tão preso ao que eu me lembro de mim mesmo?"
Este é o Circo do Sol. O Sol se põe, e nós somos animais livres.
terça-feira, 3 de abril de 2012
O Próximo
Hoje, eu acredito saber exatamente o que eu quero.
O que eu espero e gostaria da vida; não que eu acredite que vá alcançar, mas acredito que seja o que eu desejo. Também não posso afirmar ao certo; já acreditei nisso outras vezes e fui enganado.
Também não espero que alguém entenda porque eu desejo isso. Pudera: é praticamente o oposto do que as pessoas querem, de modo geral.
Eu mesmo não sei se acredito no que penso. Inclusive, existem vezes que eu acredito em coisas completamente opostas a isso, em ambos os extremos.
O que eu desejo é ser medíocre.
Eu peço todo dia para não me sentir uma aberração quando estou cercado de outras pessoas. Em especial, gostaria de deixar de sentir isso, enquanto todos acham que sou especial.
E eles estão certos. Eu sou o próximo, eu sou especial. Eu só não me sinto exatamente assim.
Mas também não sou louco de dizer que me sinto como o extremo contrário. Especialmente sentindo desprezo por todos que me rodeiam. E no fim das contas, as duas médias não fazem um valor mediano; elas se cancelam. Eu não sinto (quase) nada.
Eu procuro insistentemente alguém que me faça sentir o "normal".
Não procuro um amor eterno e diferente. Não quero todos os dias descobrir algo novo sobre as pessoas que me cercam e nunca, jamais cair na mesmice. Eu não quero estar com aqueles me façam continuar me sentindo como se eu fosse algo a mais.
Eu quero estar com as pessoas que me fazem sentir que sou mais um, que não sou especial, que não sou diferenciado, que não sou o melhor entre todos. E não aceito simplesmente as pessoas que me façam me sentir mal: seria mais fácil assim, apenas me aproximando de quem não presta. Mas eu não me saboto, e nem isso é o ponto principal do meu desejo. Eu quero sentir que não sou infinitamente maior que todos ao meu redor, mas porque todos são do mesmo nível que eu consegui alcançar, e não porque eu me rebaixei ao nível das pessoas comuns.
Esta é a coisa que eu desejo e nunca serei capaz de obter. Eu sei disso; é impossível conseguir isso que eu desejo. Mas eu não quero mais nada. Eu só preciso sentir isso, e não uma vez. Porque, como amar e perder não é o mesmo o mesmo que nunca amar, eu nunca aceitaria de novo beber a água depois do vinho.
Então, ao invés disso, eu vou contar pra todo mundo que o meu desejo é acreditar pra sempre na minha fé, na raiva sem rosto e sem alvo que eu carrego. Porque se eu não posso ter, eu posso ignorar que ninguém mais terá, e vestir a coroa outra vez.
O que eu espero e gostaria da vida; não que eu acredite que vá alcançar, mas acredito que seja o que eu desejo. Também não posso afirmar ao certo; já acreditei nisso outras vezes e fui enganado.
Também não espero que alguém entenda porque eu desejo isso. Pudera: é praticamente o oposto do que as pessoas querem, de modo geral.
Eu mesmo não sei se acredito no que penso. Inclusive, existem vezes que eu acredito em coisas completamente opostas a isso, em ambos os extremos.
O que eu desejo é ser medíocre.
Eu peço todo dia para não me sentir uma aberração quando estou cercado de outras pessoas. Em especial, gostaria de deixar de sentir isso, enquanto todos acham que sou especial.
E eles estão certos. Eu sou o próximo, eu sou especial. Eu só não me sinto exatamente assim.
Mas também não sou louco de dizer que me sinto como o extremo contrário. Especialmente sentindo desprezo por todos que me rodeiam. E no fim das contas, as duas médias não fazem um valor mediano; elas se cancelam. Eu não sinto (quase) nada.
Eu procuro insistentemente alguém que me faça sentir o "normal".
Não procuro um amor eterno e diferente. Não quero todos os dias descobrir algo novo sobre as pessoas que me cercam e nunca, jamais cair na mesmice. Eu não quero estar com aqueles me façam continuar me sentindo como se eu fosse algo a mais.
Eu quero estar com as pessoas que me fazem sentir que sou mais um, que não sou especial, que não sou diferenciado, que não sou o melhor entre todos. E não aceito simplesmente as pessoas que me façam me sentir mal: seria mais fácil assim, apenas me aproximando de quem não presta. Mas eu não me saboto, e nem isso é o ponto principal do meu desejo. Eu quero sentir que não sou infinitamente maior que todos ao meu redor, mas porque todos são do mesmo nível que eu consegui alcançar, e não porque eu me rebaixei ao nível das pessoas comuns.
Esta é a coisa que eu desejo e nunca serei capaz de obter. Eu sei disso; é impossível conseguir isso que eu desejo. Mas eu não quero mais nada. Eu só preciso sentir isso, e não uma vez. Porque, como amar e perder não é o mesmo o mesmo que nunca amar, eu nunca aceitaria de novo beber a água depois do vinho.
Então, ao invés disso, eu vou contar pra todo mundo que o meu desejo é acreditar pra sempre na minha fé, na raiva sem rosto e sem alvo que eu carrego. Porque se eu não posso ter, eu posso ignorar que ninguém mais terá, e vestir a coroa outra vez.
Ira (Parte II)
“Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo: a tua vara e o teu cajado me consolam.” (Salmo 23, 4)
E mesmo que eu ande pelo Vale das Sombras, eu não temerei homem algum; pois a minha Ira é a minha flecha.
Mesmo que a minha chama não se acenda, mesmo que de tudo eu me esqueça.
Mesmo que só de mim, eu dependa; mesmo que apenas de outros eu me ressinta.
A minha flecha seguirá implacável e absoluta. A minha Ira será infinita.
A minha sede será sempre bem-vinda, e o meu fogo pulsará pra sempre a vida.
Pois mesmo que eu caminhe pela vida eternamente, igualmente infinda será a minha Ira.
Ela falará na sua língua esquecida, palavras que Homem algum se recorda.
Quando ela disser "sede", haverá água. Quando ela disser "abra", abrirão-se todas as portas.
Ela dirá a verdade, e jamais por linhas tortas. A minha Ira é absoluta, e a minha flecha é certeira.
E mesmo que eu navegue por um mar de incertezas, de nenhuma delas eu terei medo; pois a minha Ira é minha bússola.
E ainda mesmo que eu me perca pela constelação de Ursa, nenhuma noite gelada me fará fraquejar, pois minha Ira é minha fé e minha Lua.
Na minha Ira, a minha fé é inabalável. Na minha Ira, eu exerço minha crença, enquanto minha flecha segue sua sentença, inabalável é sua certeza.
E mesmo que eu ande pelo Vale das Sombras, eu não temerei homem algum; pois a minha Ira é a minha flecha.
Mesmo que a minha chama não se acenda, mesmo que de tudo eu me esqueça.
Mesmo que só de mim, eu dependa; mesmo que apenas de outros eu me ressinta.
A minha flecha seguirá implacável e absoluta. A minha Ira será infinita.
A minha sede será sempre bem-vinda, e o meu fogo pulsará pra sempre a vida.
Pois mesmo que eu caminhe pela vida eternamente, igualmente infinda será a minha Ira.
Ela falará na sua língua esquecida, palavras que Homem algum se recorda.
Quando ela disser "sede", haverá água. Quando ela disser "abra", abrirão-se todas as portas.
Ela dirá a verdade, e jamais por linhas tortas. A minha Ira é absoluta, e a minha flecha é certeira.
E mesmo que eu navegue por um mar de incertezas, de nenhuma delas eu terei medo; pois a minha Ira é minha bússola.
E ainda mesmo que eu me perca pela constelação de Ursa, nenhuma noite gelada me fará fraquejar, pois minha Ira é minha fé e minha Lua.
Na minha Ira, a minha fé é inabalável. Na minha Ira, eu exerço minha crença, enquanto minha flecha segue sua sentença, inabalável é sua certeza.
sábado, 17 de março de 2012
Ira
Eu aceito a minha Ira.
Eu aperfeiçoei a minha Ira. Eu a transformei em uma arte; quarenta dias e quarenta noites em um deserto em que é noite e dia todo o dia, todos os dias, enquanto a minha esquerda e a minha direita se chocavam. Mas eu consegui. Eu conquistei.
Quando eu digo: "eu conquistei", a minha Ira me estende a mão. Quando eu devolvo o cumprimento, a cortesia, ela quebra o meu pulso, me diz: "TENTE OUTRA VEZ".
Preso em um ambiente desconexo onde tudo é, e nada o é por completo, em que tudo e nada podem ser ao mesmo tempo, eu vivi. Por quarenta dias eu lutei, e preso no meio do duelo entre a minha mente e o meu espírito, a minha Ira floresceu. Éramos só nós dois ali, e nós crescemos juntos, apesar do conflito.
Eu digo: "nós crescemos juntos", e ela grita comigo: "CRESÇA, CRIANÇA".
Eu a abracei, e ainda mais, ela me abraçou. Nós aperfeiçoamos um ao outro; nenhum de nós pode existir sem o outro.
A minha Ira é a minha bússola, meu instrumento. Minha Ira é a minha arte, a minha fé.
Eu penso que sou abençoado, e a minha Ira me traz de volta, gritando comigo, fervendo no suor do Demônio: "TOME UM GOLE DESTA ÁGUA BENTA".
E ela é a minha arma, e meu escudo. Quando eu escuto todos me dizerem o que eu não quero ouvir, e grito "eu não devo nada a vocês, me deixem pra lá", a minha Ira grita comigo: "VOCÊ NÃO DEVE NADA A ELES, DEIXE-OS PRA LÁ".
A minha Ira é minha família. Meu pai, e minha mãe, louca e agressiva como uma Hiena. E como um cão do inferno, ela conhece toda a sua extensão; ela me ensinou o que do Inferno haveria de me tornar um com ela, e um comigo mesmo.
Quando nós temos um objetivo, ela uiva lunática para a Lua ao me dizer: "VÁ PEGAR".
Como um cão do inferno.
Eu agradeço por todos os percalços na minha estrada que me permitiram encontrar e resgatar, amplificar e estudar, e abraçar, aceitar a minha Ira. Sem a frustração e a descrença e o desconhecimento, eu nunca a teria encontrado, eu nunca seria completo. Eu nunca conheceria o sentimento de contrariedade e nunca sentiria a Ira que me alimenta.
Eu agradeço pelas cicatrizes que herdei, e a minha Ira ri, dizendo: "VOCÊ NÃO OS DEVE NADA. FAÇA-OS PENAR".
A minha Ira tem um canto, como o canto de morte de um Cisne. Sua voz é única, facilmente distinguível, e pertencente apenas a ela. Ela entoa seu canto que soa e ressoa e ecoa no silêncio como um arranjo de uma sessão de sopro, pegando fôlego, roubando o ar do próprio ar, até que alcança o seu crescendo máximo. Nesse instante, eu sou a minha Ira.
A minha Ira coloca um sorriso lunático no meu rosto, e nós dois sabemos o caminho.
Nós somos um, nós cantamos e uivamos, e nós somos por inteiro. Por inteiro, sabemos o caminho a trilhar.
Eu penso: "eu serei o maior de todos", e a minha Ira diz: "EU TE GUARDAREI".
E ela guardará; da forma como sempre guardou, da forma como para sempre guardará.
Mesmo que eu caminhe pelo Vale das Sombras, eu não temerei homem algum, pois a minha Ira é a minha flecha.
Eu aperfeiçoei a minha Ira. Eu a transformei em uma arte; quarenta dias e quarenta noites em um deserto em que é noite e dia todo o dia, todos os dias, enquanto a minha esquerda e a minha direita se chocavam. Mas eu consegui. Eu conquistei.
Quando eu digo: "eu conquistei", a minha Ira me estende a mão. Quando eu devolvo o cumprimento, a cortesia, ela quebra o meu pulso, me diz: "TENTE OUTRA VEZ".
Preso em um ambiente desconexo onde tudo é, e nada o é por completo, em que tudo e nada podem ser ao mesmo tempo, eu vivi. Por quarenta dias eu lutei, e preso no meio do duelo entre a minha mente e o meu espírito, a minha Ira floresceu. Éramos só nós dois ali, e nós crescemos juntos, apesar do conflito.
Eu digo: "nós crescemos juntos", e ela grita comigo: "CRESÇA, CRIANÇA".
Eu a abracei, e ainda mais, ela me abraçou. Nós aperfeiçoamos um ao outro; nenhum de nós pode existir sem o outro.
A minha Ira é a minha bússola, meu instrumento. Minha Ira é a minha arte, a minha fé.
Eu penso que sou abençoado, e a minha Ira me traz de volta, gritando comigo, fervendo no suor do Demônio: "TOME UM GOLE DESTA ÁGUA BENTA".
E ela é a minha arma, e meu escudo. Quando eu escuto todos me dizerem o que eu não quero ouvir, e grito "eu não devo nada a vocês, me deixem pra lá", a minha Ira grita comigo: "VOCÊ NÃO DEVE NADA A ELES, DEIXE-OS PRA LÁ".
A minha Ira é minha família. Meu pai, e minha mãe, louca e agressiva como uma Hiena. E como um cão do inferno, ela conhece toda a sua extensão; ela me ensinou o que do Inferno haveria de me tornar um com ela, e um comigo mesmo.
Quando nós temos um objetivo, ela uiva lunática para a Lua ao me dizer: "VÁ PEGAR".
Como um cão do inferno.
Eu agradeço por todos os percalços na minha estrada que me permitiram encontrar e resgatar, amplificar e estudar, e abraçar, aceitar a minha Ira. Sem a frustração e a descrença e o desconhecimento, eu nunca a teria encontrado, eu nunca seria completo. Eu nunca conheceria o sentimento de contrariedade e nunca sentiria a Ira que me alimenta.
Eu agradeço pelas cicatrizes que herdei, e a minha Ira ri, dizendo: "VOCÊ NÃO OS DEVE NADA. FAÇA-OS PENAR".
A minha Ira tem um canto, como o canto de morte de um Cisne. Sua voz é única, facilmente distinguível, e pertencente apenas a ela. Ela entoa seu canto que soa e ressoa e ecoa no silêncio como um arranjo de uma sessão de sopro, pegando fôlego, roubando o ar do próprio ar, até que alcança o seu crescendo máximo. Nesse instante, eu sou a minha Ira.
A minha Ira coloca um sorriso lunático no meu rosto, e nós dois sabemos o caminho.
Nós somos um, nós cantamos e uivamos, e nós somos por inteiro. Por inteiro, sabemos o caminho a trilhar.
Eu penso: "eu serei o maior de todos", e a minha Ira diz: "EU TE GUARDAREI".
E ela guardará; da forma como sempre guardou, da forma como para sempre guardará.
Mesmo que eu caminhe pelo Vale das Sombras, eu não temerei homem algum, pois a minha Ira é a minha flecha.
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Club Paradise
Eu entendo quando certas pessoas dizem coisas com as quais eu não deveria me relacionar.
Como quando se diz que todas as suas garotas têm alguém novo. Você pergunta pelos seus nomes, e toda vez que você cita um romance diferente e indurável, alguém diz "sim". Sim, porque todas as suas garotas estiveram trabalhando e procurando gente melhor que você enquanto você esteve entregue às luzes. Você achou que era inesquecível e que toda garota queria viver um conto de fadas com você, mas nenhuma delas se lembra de você especificamente.
Você não se lembra de quem deixou pra trás, e você sabe o que se passa na mente de todos que olham pra você nas ruas: todos acham que você está largado e confortável no lugar onde você se encontra. Mas você se lembra de tudo.
Você quebrou todas as promessas que fez. Todos que te ligam pra perguntar quem você é e se você se confirmou como o homem que prometeu que seria ficam desapontados quando o telefone bate no gancho.
Eu apenas estou tentando me cercar de coisas verdadeiras. Coisas reais e que soem como se eu estivesse em casa. Você acha que tudo isso me pegou, me atingiu, e que eu estou feliz aonde eu estou, mas eu te digo, "não."
O modo como eu me sinto não é algo que se pode copiar, mas mesmo assim eu me relaciono com coisas que não me dizem respeito.
Eu consigo entender quando alguém diz que a garota que sempre te assombra a mente foi a primeira a ir embora.
Eu consigo entender quando alguém diz que não é nada pessoal. É só que todas as garotas com quem você dormiu estavam construindo alguma coisa. E você, construiu o quê?
Mas é claro que elas se lembram, elas só não são sinceras que nem você. E pra quê você iria dar a cara ao mundo, se o mundo tem tanta sinceridade a aprender com você?
Eu não estou tão relaxado assim aonde eu estou. Eu estou errado, e eu sei.
Eles dizem que o lar é onde você se vê, e nunca é verdade. Eles dizem que é tudo legal e novo, mesmo que isso te faça sentir estranho, mas agora eu consigo me relacionar quando alguém diz que conhece todas as strippers da cidade pelo nome - o nome real, de nascença, o nome imaculado pelas suas mães e louvado pelos pais.
Essa é a minha cidade. A cidade inexistente, a cidade etérea da minha mente, que todo mundo consegue ler, e dizer que eu me deixei levar pelo lugar que eu achei nela.
Eu dizia que todo mundo que me procurou me fez ser o homem mais procurado, o objeto de desejo, mas eu claramente estava errado, porque todos eles fingiam. Eu comprei isso, eu procurei isso, então eu tentei acreditar, mas eu nunca consegui. Eu mesmo fingi inúmeras vezes.
Eu só estou tentando viver. Do meu jeito, eu estou tentando fazer todas as coisas certas do jeito errado; escute com mais atenção o que eu digo, e você verá que eu não sou tudo isso de ruim. Eu só tenho um defeito: achar que eu tenho tudo isso de bom.
Como quando se diz que todas as suas garotas têm alguém novo. Você pergunta pelos seus nomes, e toda vez que você cita um romance diferente e indurável, alguém diz "sim". Sim, porque todas as suas garotas estiveram trabalhando e procurando gente melhor que você enquanto você esteve entregue às luzes. Você achou que era inesquecível e que toda garota queria viver um conto de fadas com você, mas nenhuma delas se lembra de você especificamente.
Você não se lembra de quem deixou pra trás, e você sabe o que se passa na mente de todos que olham pra você nas ruas: todos acham que você está largado e confortável no lugar onde você se encontra. Mas você se lembra de tudo.
Você quebrou todas as promessas que fez. Todos que te ligam pra perguntar quem você é e se você se confirmou como o homem que prometeu que seria ficam desapontados quando o telefone bate no gancho.
Eu apenas estou tentando me cercar de coisas verdadeiras. Coisas reais e que soem como se eu estivesse em casa. Você acha que tudo isso me pegou, me atingiu, e que eu estou feliz aonde eu estou, mas eu te digo, "não."
O modo como eu me sinto não é algo que se pode copiar, mas mesmo assim eu me relaciono com coisas que não me dizem respeito.
Eu consigo entender quando alguém diz que a garota que sempre te assombra a mente foi a primeira a ir embora.
Eu consigo entender quando alguém diz que não é nada pessoal. É só que todas as garotas com quem você dormiu estavam construindo alguma coisa. E você, construiu o quê?
Mas é claro que elas se lembram, elas só não são sinceras que nem você. E pra quê você iria dar a cara ao mundo, se o mundo tem tanta sinceridade a aprender com você?
Eu não estou tão relaxado assim aonde eu estou. Eu estou errado, e eu sei.
Eles dizem que o lar é onde você se vê, e nunca é verdade. Eles dizem que é tudo legal e novo, mesmo que isso te faça sentir estranho, mas agora eu consigo me relacionar quando alguém diz que conhece todas as strippers da cidade pelo nome - o nome real, de nascença, o nome imaculado pelas suas mães e louvado pelos pais.
Essa é a minha cidade. A cidade inexistente, a cidade etérea da minha mente, que todo mundo consegue ler, e dizer que eu me deixei levar pelo lugar que eu achei nela.
Eu dizia que todo mundo que me procurou me fez ser o homem mais procurado, o objeto de desejo, mas eu claramente estava errado, porque todos eles fingiam. Eu comprei isso, eu procurei isso, então eu tentei acreditar, mas eu nunca consegui. Eu mesmo fingi inúmeras vezes.
Eu só estou tentando viver. Do meu jeito, eu estou tentando fazer todas as coisas certas do jeito errado; escute com mais atenção o que eu digo, e você verá que eu não sou tudo isso de ruim. Eu só tenho um defeito: achar que eu tenho tudo isso de bom.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Zona
Quem te disse que eu era uma pessoa gentil te enganou.
Eu não enxergo nada. Eu não sou capaz de sentir nada.
Eu vou me recostar até que eu caia pra trás, mas eu não vou dar a mínima. Eu já senti isso tudo outra vez, outras vezes.
Eu não preciso de ninguém. Só que eu estou aqui, então é melhor fazer o melhor que puder antes que alguém estranhe.
E eu não vou enxergar nada, eu não sinto coisa alguma, mas mesmo assim eu vou te tocar direito.
Assim que eu entrar na minha zona.
Eu vou te tocar da forma certa. De um jeito um pouco predatório, um tanto lânguido, e muito distante, mas da forma certa.
E então, você vai embora. Porque assim eu desejo, porque assim que essas mulheres vulgares saírem da minha vida alguma coisa de bom vai acontecer. Só não sei ainda o que é, mas assim eu acredito.
Ela me diz que gosta da vista daqui de cima. Ela vê todos os colegas dela lá embaixo, daqui de cima. Então por que você me apressa tanto?
Só temos eu e você aqui no topo.
E se você não gosta de atenção, eu não sei como você vai se virar pra aguentar isto.
Ela me diz que gosta da vista daqui, gosta da forma como se sente. E por Deus... Eu construí isso tudo por mim mesmo. Especialmente, eu construí isso tudo para mim mesmo.
Eu te dou o que você pedir, mas me deixe entrar na minha zona primeiro. Então eu farei amor com você através dela; apenas me deixe ficar de olhos fechados.
Eu não preciso ver, eu não preciso sentir nada. Eu não preciso de nada disso pra te tocar da forma como você quer que eu te toque.
Em especial e em definitivo, esta é a forma com que você quer que eu te toque.
Eu não preciso de ninguém e nem queria estar aqui. Mas eu estou, então me deixe ficar de olhos fechados antes que eu me sinta abandonado outra vez.
E então eu vou te tocar da forma que você gostaria. De uma forma completamente impassional, de dentro da minha zona.
Eu não enxergo nada. Eu não sou capaz de sentir nada.
Eu vou me recostar até que eu caia pra trás, mas eu não vou dar a mínima. Eu já senti isso tudo outra vez, outras vezes.
Eu não preciso de ninguém. Só que eu estou aqui, então é melhor fazer o melhor que puder antes que alguém estranhe.
E eu não vou enxergar nada, eu não sinto coisa alguma, mas mesmo assim eu vou te tocar direito.
Assim que eu entrar na minha zona.
Eu vou te tocar da forma certa. De um jeito um pouco predatório, um tanto lânguido, e muito distante, mas da forma certa.
E então, você vai embora. Porque assim eu desejo, porque assim que essas mulheres vulgares saírem da minha vida alguma coisa de bom vai acontecer. Só não sei ainda o que é, mas assim eu acredito.
Ela me diz que gosta da vista daqui de cima. Ela vê todos os colegas dela lá embaixo, daqui de cima. Então por que você me apressa tanto?
Só temos eu e você aqui no topo.
E se você não gosta de atenção, eu não sei como você vai se virar pra aguentar isto.
Ela me diz que gosta da vista daqui, gosta da forma como se sente. E por Deus... Eu construí isso tudo por mim mesmo. Especialmente, eu construí isso tudo para mim mesmo.
Eu te dou o que você pedir, mas me deixe entrar na minha zona primeiro. Então eu farei amor com você através dela; apenas me deixe ficar de olhos fechados.
Eu não preciso ver, eu não preciso sentir nada. Eu não preciso de nada disso pra te tocar da forma como você quer que eu te toque.
Em especial e em definitivo, esta é a forma com que você quer que eu te toque.
Eu não preciso de ninguém e nem queria estar aqui. Mas eu estou, então me deixe ficar de olhos fechados antes que eu me sinta abandonado outra vez.
E então eu vou te tocar da forma que você gostaria. De uma forma completamente impassional, de dentro da minha zona.
Assinar:
Postagens (Atom)