sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Rio Negro

Eu me tornei um homem simples, com desejos simples, gostos simples, sonhos simples. Eu desejo para sempre que estas vontades se mantenham anônimas. Não quero ser reconhecido quando minha embarcação passar. Eu tenho conforto na minha própria paz, sem você, só com meus planos simples. Esse é o meu momento, minha vida, e eu os viverei sozinho, como se eu fosse o último homem da terra. Eu não espero ou imagino que eu seja digno de pena, longe de mim. A pior coisa que eu poderia sofrer seria a pena alheia. Tampouco quero a complacência dos meus pares, não quero a simpatia de quem me tenta entender. Eu quero trilhar o meu caminho sozinho, gozar a minha paz. Eu não quero o seu juízo. Eu não quero a sua participação, não quero seus conselhos. Eu quero deitar na proa do meu próprio barco, admirando o céu da Amazônia, completamente sozinho. Meu caminho é árduo, mas eu tenho prazeres simples, então mesmo que meu caminho seja duro, eu quero ter a mim mesmo como guia e companhia e aproveitar o meu silêncio. Eu não quero ser seu bandeirante, não quero ser o aventureiro que marcou a sua estrada. Eu quero que você não me siga. Mesmo que a minha falta te doa. Quero que o seu carinho se transforme em respeito ao meu bote cruzando o rio em silêncio. Quero que você não me siga, porque eu não preciso de companhia. Este caminho me fez firme como uma pedra, e nesse lugar que a minha paz floresceu, você não sobreviveria. Eu nunca permitiria isso. Eu nunca seria seu ídolo, nunca seria seu salvador, você deveria saber melhor que isso. Eu sou um índio olhando o céu da noite, ouvindo o som das árvores em repouso, respirando o ar puro deste lugar remoto. Eu não te convidaria a desfrutar da minha paz comigo. Você não é bem-vindo na minha paz de espírito.

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