terça-feira, 5 de agosto de 2008

Química

Hoje tive minha primeira aula de Biologia Molecular.
Entendam: tenho duas disciplinas durante minha formação envolvendo o assunto Biologia Molecular (comumente chamado de Biomol), o que dá um total de dois períodos aprendendo apenas sobre as propriedades dos ácidos nucléicos. O que equivale a um ano, e mesmo assim, muitos repetem ambas as disciplinas.
Mas como é possível? Uma classe de moléculas apenas pode ser alvo de estudo por um ano? E porque um conhecimento tão aprofundado deve ser dado à alunos de graduação - afinal de contas, muito deles, eu inclusive, nunca precisarão saber tanto assim - ao invés de apenas à alunos de pós-graduação?
Antes, tudo isso passava por minha cabeça, mas agora sei a resposta. As moléculas de ácidos nucléicos são a maior forma de arte que o Universo concebeu. A maior obra-prima da evolução, a Mona Lisa da vida. Seu funcionamento é uma dança, um balé orquestrado pela Natureza e compassado em perfeita sincronia. A peça mais matematicamente complexa de um acervo clássico. E toda essa complexidade e beleza exigem - e merecem - um ano de estudos para ser compreendida; e mesmo com um ano de estudo, às vezes a quantidade de informação não consegue ser assimilada, nem com um ano de dedicação, pela exorbitante massa de conteúdo.
Tendo em vista toda essa beleza e complexidade, seria fácil entender porque muitos atribuem ao DNA o estado de Deus. A orquestra da cromatina encanta qualquer um, mesmo os bastardos que odeiam a genética, como eu. Mas na verdade, não é.
Fica até difícil entender porque tantos cientistas não acreditam no espiritual. Tanta sincronia e precisão não podem ter surgido por acaso, nem podem continuar acontecendo por mero fortúnio da evolução. Um ano de estudos não é capaz de compreender completamente todos os movimentos coordenados desta dança, acontecendo casualmente, como se fossem um mero suspiro, mas ordenando toda a vida, num número envolventemente tétrico. A genética não é uma resposta ou fim, mas uma ferramenta para quaisquer forças maiores que comandem o mundo e os homens. Assim como o são todas as ciências. O homem descobre o conhecimento, no sentido literal do verbo - elucidar, revelar. Ele não cria, nem o conhecimento cria a si próprio. A ciência é um conjunto de fórmulas e conceitos para ajudar a exploração da lógica criada pela própria vida, uma tentativa de quantificar toda a sincronia da Natrueza.
E deixo esse pensamento em aberto: serão as respostas que o homem pensa ter apenas uma faceta conceituada da Verdade?

- Ao som de: Norma Jean - Self-Employed Chemist -

3 comentários:

Smokey Mcpot disse...

Nossa.
Queria ter todo esse amor pela Introdução à Filosofia do Direito I e II.
2 semestres de minha vida jogado no lixo...

Lo Scienziato. disse...

Depois de A Dança das Maquinas, vem ai o novo sucesso da Lumino: A Dança do Acidos Nucleicos.

Uma coisa que eu aprendi vendo Evangelion: A realidade dos homens é algo muito frágil.

Bernardo disse...

Tá demais esse mlq...considerando-se que 6 meses desse "ano" que vc passa estudando biomol são inúteis devido a péssima qualidade das aulas ministradas,resume-se a 6 meses de aulas mt boas por sinal,vulgo BIOMOL 2...o DNA realmente é foda!
E vc não deu o devido crédito a plasmídios,transpozons,pontes disulfeto,pontes de hidrogênio,mecanismos de excisão e reparo e tantas outras coisas...a blz da criação de camundongos knoclout e criação de modelos experimentais em organismos teoricamente "inferiores"...genética é lindo!